A R T I G O

 

 

 

Momento oportuno para avanços na democratização das relações de trabalho

Por Vagner Freitas*

A CUT nasceu, em 1983, tendo a liberdade e a autonomia sindical como uma de suas principais bandeiras, o que permanece até hoje. No entanto, o sindicalismo do início dos anos 80 não é o mesmo sindicalismo que encontramos no início do século XXI. Muita coisa mudou na forma de organização da CUT durante esses anos.

Embora a estrutura sindical tenha permanecido inalterada, a CUT construiu durante este período suas Federações e Confederações, que mesmo à margem da legalidade imposta pela estrutura, passaram a representar de fato, a maioria, ou parcelas significativas, dos trabalhadores de importantes Ramos de produção, obrigando seu reconhecimento político, inclusive por parte do setor patronal - que se viu forçado a negociar com estas entidades, mesmo "ilegais" - devido às suas representatividades.

Mesmo contradizendo a estrutura oficial, algumas de nossas entidades de segundo grau foram reconhecidas e legalizadas durante seu processo de construção e consolidação. O processo mais recente foi a legalização da Contraf/CUT, que desde 1992, quando foi criada como CNB/CUT, já representava a maioria dos bancários do País e que controlava os maiores sindicatos da categoria.

O recente reconhecimento das centrais sindicais nos remete a uma nova realidade e nos impõe o desafio de apresentar, com clareza aos trabalhadores e à sociedade, o que nos diferencia das demais centrais, como a defesa da liberdade e autonomia sindical, da Convenção 87 da OIT, da Portaria 186 do MTE e o fim do imposto sindical, entre outras.

É importante entendermos a série de atividades que a CUT vem desenvolvendo, como a luta pela ratificação das convenções 151 e 158, enviadas pelo presidente Lula ao Congresso Nacional; pela aprovação da PEC 393/01, que reduz a jornada de trabalho sem redução salarial. A defesa e implantação imediata do que estabelece a Portaria 186 pelos Ramos da CUT e os seminários que realizaremos no mês de julho, sobre organização no local de trabalho, quando devemos aprofundar a discussão em torno da Convenção 135 e do artigo 11 da Constituição e sobre a Convenção 87 da OIT, que deve apontar caminhos para a elaboração de estratégias que avancem no caminho da liberdade e autonomia sindical.

Tais ações não são ações isoladas, pelo contrário, representam um encadeamento que tem por objetivo a ampliação da democracia nas relações de trabalho e a implantação de importantes bandeiras que a CUT defendeu durante o Fórum Nacional do Trabalho, principalmente em relação a organização no local de trabalho (OLT).

A recente Oficina que a CUT realizou sobre a Portaria 186 definiu a política que deve ser implantada por nossos Ramos, de acordo com suas especificidades, ainda no mês de junho, e definiu também uma série de sugestões que foram apreciadas e aprovadas pela executiva nacional da CUT, em sua última reunião.

Todas estas ações em curso serão debatidas com maior profundidade pelos delegados(as) que estarão presentes na 12º Plenária Nacional da CUT, momento oportuno para uma avaliação de nossas lutas e o estabelecimento de estratégias visando maior liberdade e autonomia sindical, e o fortalecimento da CUT neste cenário.

*Vagner Freitas é secretário nacional de Política Sindical da CUT e presidente da Contraf/CUT

Fonte: CUT