Reflexão
sobre a remuneração dos trabalhadores
bancários
Por
William Mendes*
Estamos
começando as discussões da campanha
salarial dos bancários de 2008.
Como
ocorre normalmente, é provável
que as questões que chamarão
a atenção de trabalhadores e
dirigentes sindicais sejam saber quanto é
o índice e qual é a PLR - Participação
nos lucros e resultados - reivindicados.
Parte
de nós, dirigentes Cutistas, entendemos
que devemos lutar por aumento real no índice,
participação maior dos bancários
nos lucros e resultados - PLR maior com uma
regra que valha para todos, e com a busca
da contratação total daquilo
que os bancários recebem ao longo do
ano, ou seja, o salário fixo direto,
indireto e variável.
Quando
falamos em remuneração do trabalhador
bancário, não podemos isolar
o tema como se não houvesse relação
entre o trabalho realizado e o modo de produção
capitalista onde ele se insere.
Nosso
foco deve se dar na volta da centralidade
do trabalho. Para isso é necessário
definirmos que tipo de contratação
de remuneração devemos reivindicar
- regulando o sistema existente focado na
meta ou propondo novos patamares de salários
e pisos.
Os
bancos mudaram suas diretrizes empresariais
e passaram a dividir o risco do negócio
com o trabalhador. A remuneração
variável, baseada em meta atingida,
já é uma realidade na maioria
dos bancos. Resta aos trabalhadores, a verdadeira
força produtiva, fazer o contraponto
a isso se organizando e reivindicando pisos
maiores e maior percentual de PLR, incluindo
distribuição linear ao formato
de porcentagem do salário (hoje 80%)
mais valor fixo em reais (hoje R$ 878). Em
2007 houve ainda uma parcela adicional vinculada
à rentabilidade anual de cada banco.
Existem
dois sistemas básicos de remuneração
que não convivem juntos. Ou, quando
convivem de forma híbrida, causam diversos
problemas aos trabalhadores.
Podemos
ter um sistema de remuneração
por função, baseado em salários
fixos e adicionais de função
por níveis de responsabilidade, com
um trabalho mais material, onde temos jornada
e local de trabalho definidos. Um sistema
como esse comporta a inclusão de custos
de folha de longo prazo como, por exemplo,
um PCCS - plano de carreira, cargos e salários.
O
outro sistema é de remuneração
por "competência", onde o
trabalhador recebe por aquilo que produz.
Esse sistema se baseia no atingimento de metas
pré-estabelecidas e seu trabalho é
muito mais imaterial, pois a busca do cumprimento
de metas não permite ao trabalhador
se dar ao luxo de ter jornada e locais definidos
porque "é ele quem faz seu salário".
Esse sistema também não comporta
pisos salariais elevados.
Esse
é um dos dilemas que os bancários
devem discutir quando começam as definições
das reivindicações da minuta
da categoria.
Hoje
temos os bancos públicos e privados
signatários da CCT - Convenção
Coletiva de Trabalho. Foi nossa maior conquista
na última década. São
direitos iguais para todos em qualquer banco
e qualquer região do país.
Os
direitos específicos de cada banco
estão e devem vir em aditivos à
CCT, como ocorre com o BB, Caixa Federal dentre
outros.
A
proposta é lutarmos por novos patamares
de salário e por uma PLR geral maior
Piso
inicial do Dieese
Hoje,
os pisos dos bancários são:
Fenaban = R$ 921
Banco do Brasil = R$ 1178
Caixa Federal = R$ 1244
Caixas e tesoureiros Fenaban = R$ 1287
Outro
problema real dos bancários de todos
os bancos é o valor do primeiro comissionado
ser muito baixo. Segundo a CLT, a gratificação
de função não pode ser
inferior a 55% do salário do cargo
efetivo.
Como
nosso objetivo é contratar de fato,
devemos exigir a contratação
do valor do piso do Dieese (junho R$ 2072,70)
na CCT. Propomos contratá-lo para efetivá-lo
em duas datas-base de maneira a atingir o
valor do piso cheio do Dieese em setembro
de 2009. Ou seja:
Ao
piso da categoria seria acrescido 50% da diferença
entre o piso bancário em 2008 e o piso
do Dieese de setembro/2008. Em 2009 seria
efetivado na data-base o piso do Dieese definitivamente.
Automaticamente,
estaremos corrigindo o maior problema dos
comissionados que é o baixo valor das
gratificações de função.
Se pegarmos a referência acima e aplicarmos
no menor salário comissionado teremos
para 2008:
R$
921 + R$ 575 (50% da diferença piso
CCT - Dieese) = R$ 1496 (piso bancário
2008)
R$
1496 + 55% = R$ 2319 (menor salário
para um comissionado)
PLR
geral no formato de (%) salário + valor
fixo (como hoje) + (%) distribuída
linearmente, como é hoje no BB.
Para
simplificarmos uma proposta de PLR geral para
a categoria, como o Comando Nacional vem discutindo,
devemos reivindicar esse formato discutido
em 2005 e implantado no maior banco do sistema
financeiro - o Banco do Brasil.
A
maior vantagem para os bancários de
se estabelecer esse modelo na CCT é
o fato dele se basear no lucro líquido
final dos bancos e não nas metas distribuídas
por região, unidade e por bancários.
(como ocorre com os programas próprios
PRs)
Se
avançarmos nos demais bancos com o
modelo aplicado no BB, estaremos inviabilizando
os modelos de gestão baseados em remuneração
variável existentes nos bancos privados.
Os trabalhadores passarão a receber
remuneração maior ao ano, contratada
em convenção coletiva e sem
vínculo a cumprimento de metas.
*William
Mendes é secretário de Imprensa
da Contraf/CUT