Previ,
sustentabilidade e melhorias
Por José Ricardo Sasseron* (21/02/2008)
Gostaria de me dirigir aos associados da Previ
e colegas do Banco do Brasil para abordar
uma série de temas sobre a nossa Caixa
de Previdência. Farei isto através
de alguns artigos e este é o primeiro
deles.
Quando falamos de um plano de previdência,
que assume compromissos com os seus associados
para pagar benefícios durante décadas,
temos de pensar em como administrar os recursos
de forma a garantir os melhores benefícios
durante o tempo que for necessário.
E este tempo é muito longo: a mais
antiga pensionista da Previ recebe seu benefício
desde 1923! Esta pensão é de
responsabilidade do banco, mas desde 1967
todas são de responsabilidade da Previ,
assim como os benefícios de aposentadoria
de todos os que se associaram a partir daquele
ano.
Participação dos associados
O primeiro requisito de sustentabilidade da
Previ é o modelo de gestão.
E, neste ponto, avançamos bastante
devido à luta e participação
constante do funcionalismo. Há décadas
lutamos, nossos sindicatos e entidades à
frente, para aumentar nosso poder de fiscalização,
acompanhamento e gestão dos negócios
da Previ. O grande marco desta luta foi o
ano de 1997, quando conquistamos o direito
de eleger metade da diretoria e a maioria
dos conselheiros deliberativos e fiscais de
nossa Caixa de Previdência. Este avanço
foi fundamental para melhorarmos a gestão
dos ativos e investimentos.
Reconquistando direitos
Em 2002 fomos atropelados pelo governo FHC,
que implantou o voto de minerva, acabou com
a eleição direta para os diretores
representantes dos associados, trocou a diretoria
de Participações pela de Administração
e extinguiu a consulta ao Corpo Social para
aprovar alterações de regulamento,
estatuto e aprovação das contas.
Aos poucos, a luta do funcionalismo vai reconquistando
estes direitos: em 2006, recuperamos a eleição
direta para os diretores representantes dos
associados. Criamos, também nesse ano,
os conselhos consultivos de plano, integrando,
pela primeira vez, os participantes do Plano
Previ Futuro à gestão da Previ.
Mas a luta continua e não podemos parar
enquanto não acabarmos com o voto de
minerva, reconquistarmos o direito de os associados
decidirem por votação direta
os grandes temas da Previ e tudo o que nos
foi tomado por FHC. O voto de minerva ainda
é um fator de instabilidade, que pode
desequilibrar o jogo de forças a favor
do banco.
Gestão dos investimentos
A gestão adequada dos investimentos
tem conseguido aproveitar o excelente ciclo
de crescimento da economia brasileira dos
últimos cinco anos, tem permitido acumular
superávits seguidos e garantir uma
série de ajustes e melhorias de benefícios.
Desta maneira, temos conseguido reverter,
em benefício dos associados, parte
dos ganhos conseguidos com as aplicações
das reservas da Previ.
Gestão do passivo previdenciário
O segundo grande requisito de sustentabilidade
é a gestão adequada do passivo
previdenciário. A Previ tem a obrigação
de pagar, aos associados do Plano 1, R$ 62
bilhões (mais quase R$ 6 bilhões
dos benefícios especiais implantados
em 2007) pelos próximos 60, 70 anos.
Esta conta precisa estar bem dimensionada
e, nos últimos dois anos foram tomadas
algumas medidas neste sentido. Ajustamos a
tábua de mortalidade, prevendo uma
sobrevida maior para todos - a expectativa
de vida da população Previ é
de 85 anos para os homens e 87 para as mulheres
- e, portanto, o pagamento de benefícios
por mais tempo. Reduzimos a taxa de juros
atuarial de 6% para 5,75% ao ano, prevendo
uma rentabilidade menor das aplicações
no futuro. Finalmente, foram reduzidas as
contribuições em 2006, para
60% de seu valor original, e suspensas a partir
de 2007, de maneira que continuam garantidos
os mesmos benefícios, mas sem a necessidade
de contribuições; no entanto,
o regulamento do Plano 1 ainda exige que o
banco e os associados voltem a contribuir,
caso não se verifiquem futuros superávits.
Melhoria de benefícios
Todas estas mudanças foram possíveis
graças ao superávit acumulado
nos últimos anos, que permitiram a
revisão das premissas atuariais e a
suspensão das contribuições.
Mas, como dinheiro acumulado não resolve
problema de ninguém, também
começamos a utilizar estes recursos
para melhorar os benefícios dos associados,
de maneira a cumprir a missão essencial
da Previ: pagar as melhores aposentadorias
e pensões aos associados. Este será
o tema do próximo capítulo.
* José Ricardo Sasseron
é diretor de Seguridade da Previ desde
2006, eleito pelos associados