República, pra quê te quero!
Por Sérgio Braga*
Parece que cada dia que passa esse negócio
de ideal republicano morre um pouco, soterrado
pela prática de muitos. Tudo parece
que se transformou num ato simples como o
de se mandar um ramalhete de flores para a
mulher pretendida.
Há dois anos consecutivos, pelo menos
é o que tenho notícia, a Fenaban
financia, ou no mínimo colabora generosamente,
com um encontro anual de juízes da
Justiça do Trabalho, cujo último
se deu em Natal (RN). Passagens aéreas,
estadia, etc. De fato, na hora de proferir
suas sentenças, esses representantes
do poder judiciário, quero crer, não
devem levar em consideração
nada disso, e fazê-las com independência,
moralidade, e ética. Mas soa no mínimo
estranho, pouco condizente, que pessoas responsáveis
aceitem julgar processos cujo reclamado é
as mais das vezes um daqueles que colaborou
generosamente com festa de qual era anfitrião.
Eis que nesta quarta, 05/03, se vê
estampada nos jornais a notícia de
que o Unibanco colaborou com R$ 30 mil, além
do Banco do Brasil com uma quantia menor,
para uma festa organizada por servidores da
receita federal. Mesmo caso. Ora, quero crer,
e a receita federal tem demonstrado sua rigidez
quando se trata de ir buscar o que é
devido ao estado, que isso em nada, absolutamente
nada, irá influenciar na atuação
da receita quando tiver a incumbência
de fiscalizar os colaboradores da festa de
outro dia. Mas é no mínimo estranha
essa situação.
A despeito de discordar da receita midiática
que denuncia, julga e condena cidadãos
sem no mínimo ouvi-los, mas isso parece
aquele sapato que a gente teima em usar, mas
que causa calo de toda espécie em todos
os dedos do pé.
Sinto-me bastante constrangido em falar sobre
temas desse tipo. Principalmente agora, em
tempos de retorno do udenismo e do Mcarthismo,
onde todo mundo é vil e certamente
culpado até que prove sua inocência.
Contudo a prática republicana não
pode deixar dúvidas sobre determinadas
questões.
Doravante, todo processo trabalhista em que
um reclamado seja um banco, e este for vitorioso
no processo, logo se procurará saber
se o juiz estava lá naquele encontro
anual.
Quando tiver a receita federal que fiscalizar
um banco, procurar-se-á saber se este
foi um daqueles que colaborou com a festa
de ontem.
Isso, minimamente, coloca sob situação
desconfortável o bom e eficiente trabalho
que têm feito a justiça do trabalho
e a receita federal quando se trata de fiscalizar
e punir aqueles que descumprem a lei.
Sérgio
Braga é secretário de Finanças
da Contraf-CUT