|
Fenômeno tão antigo quanto o trabalho, assédio moral é a
exposição dos trabalhadores e das trabalhadoras a
situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e
prolongadas, durante a jornada de trabalho e no exercício
das funções profissionais. É mais comum em relações
hierárquicas autoritárias.
Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de
trabalho, com a predominância de condutas negativas dos
chefes em relação a seus subordinados. O assédio moral,
aliás, constitui uma experiência subjetiva que acarreta
prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a
empresa. Quase sempre, a vítima é isolada do grupo sem
explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada,
inferiorizada, culpabi-lizada e desacreditada diante de
seus colegas.
A
humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida
do assediado de modo direto, comprometendo sua identidade,
dignidade e relações afetivas e sociais. Ocasiona também
graves danos à saúde física e mental da vítima, podendo
evoluir para a incapacidade no trabalho, desemprego ou
mesmo a morte. E, devido a isso, constitui um risco
invisível, porém concreto, nas relações e condições de
trabalho.
A
reflexão e o debate sobre o assédio moral são recentes no
Brasil. No plano internacional, contudo, o tema já foi
objeto de pesquisa da OIT (Organização Internacional do
Trabalho) em países como Finlândia, Alemanha, Reino Unido,
Polônia e Estados Unidos. Devido ao processo de
globalização da economia, as perspectivas são sombrias
para as duas próximas décadas. Mundo afora, segundo a OIT
e a OMS (Organização Mundial de Saúde), as relações de
trabalho das próximas décadas serão marcadas por
depressões, angústias e outros danos psíquicos, como
decorrência da disseminação de políticas neoliberais no
processo de gestão do ambiente de trabalho.
|