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A
violência moral no ambiente de trabalho se origina na
ganância pelo lucro e no abuso de poder. Inovações
tecnológicas se associam a velhas fórmulas de gestão.
Traduz-se em situações em que os chefes exigem e os
trabalhadores são obrigados a ultrapassar a metas de
produção. Em torno desse ambiente de trabalho, a chefia se
comporta como cruel e autoritária, além de insegura e
confusa. Age ainda de maneira egoísta e ‘bajuladora’ do
patrão.
Hoje,
como resultado da disseminação de políticas neolibe-rais
no processo de gestão do ambiente de trabalho, os
trabalhadores vivem mergulhados no medo de perder o
emprego e produzem mais de que sua capacidade permite.
Assim, há uma inversão na realidade: as pessoas continuam
trabalhando, apesar de adoecidas ou acidentadas.
As
humilhações, constrangimentos e rebaixamentos fazem parte
de um contexto de tirania nas relações de trabalho,
constituindo ferramentas de controle e sujeição dos
trabalhadores que, por medo, insegurança e vergonha, se
calam diante dos desmandos dos chefes.
Política de reafirmação da humilhação nas empresas
a) Com
todos os trabalhadores: estimular a competi-tividade e o
individualismo, com discriminação salarial por gênero;
passar lista na empresa para que os trabalhadores se
comprometam a não procurar o sindicato ou mesmo ameaçar os
sindicalizados; impedir que as grávidas fiquem sentadas
durante a jornada ou façam consultas de pré-natal fora da
empresa; fazer reunião com todas as mulheres do setor
administrativo e produtivo para exigir que não engravidem,
a pretexto de evitar prejuízos à produção; impedir o uso
do telefone em casos de urgência ou não comunicar aos
trabalhadores os telefonemas urgentes de seus familiares;
fomentar o desvio de função, via limpeza de banheiro e
pintura da casa do chefe em finais de semana.
b)
Discriminação aos doentes e acidentados que retornam ao
posto de trabalho: colocar em local sem nenhuma tarefa;
não fornecer ou retirar todos os instrumentos de trabalho;
impedir de andar pela empresa; diminuir salário quando do
retorno ao trabalho; controlar as idas a médicos e impedir
os trabalhadores de procurarem médicos fora da empresa;
colocar guarda para controlar entrada e saída e para
revistar as mulheres; colocar colega para controlar o
outro, disseminando a vigilância e a desconfiança;
dificultar a entrega de documentos necessários à
concretização da perícia médica pelo INSS; omitir doenças
e acidentes; demitir as vítimas de doenças ocupacionais ou
os acidentados no trabalho; desaparecer com os atestados,
exigindo o CID (Código Internacional de Doenças) no
atestado como forma de controle.
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