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03/11/2008 - 10:15 Ato em concentrações do Santander e do Real Bancários exigem do presidente mundial do Grupo Santander a manutenção dos empregos e dos direitos dos trabalhadores Os trabalhadores deram um grande recado ao presidente mundial do Grupo Santander, Emilio Botín que está em São Paulo. Na manhã de sexta-feira, dia 31, o Sindicato de São Paulo realizou protestos no Centro Administrativo Santander (Casas 1, 2, 3 e 4) a na matriz do Real na Avenida Paulista. Botin esteve no Brasil para acompanhar a última prova da temporada de Formula 1, que aconteceu no autódromo de Interlagos. Em sua agenda também estavam previstas reuniões com executivos no país para anunciar um "plano estratégico" para a empresa. "Qualquer plano estratégico deve incluir contratação de novos funcionários nas muitas áreas onde falta pessoal. Não caberia e não vamos aceitar qualquer menção a demissões neste momento. Estamos nos mobilizando para acompanhar todos os passos de Botín aqui em São Paulo", destaca o diretor do Sindicato Mario Raia, que é funcionário do Santander. Matriz – A manifestação na matriz do Real, localizada na Avenida Paulista, começou por volta das 7h30 da manhã e seguiu até as 10h. Os trabalhadores atrasaram a entrada para ouvir os dirigentes do Sindicato esclarecerem a importância da participação de todos na luta pela preservação do emprego e pelo tratamento igual entre bancários da Espanha e do Brasil durante o processo de fusão com o Santander. Para tal, foram enfatizadas as paralisações espontâneas feitas pelos funcionários do Call Center, do Majolão e da Aymoré durante a greve de outubro. "O resultado do Santander no terceiro trimestre deste ano mostra que isso é perfeitamente viável", diz o diretor do Sindicato e funcionário do Real Marcelo Gonçalves. "O lucro do banco espanhol no Brasil cresceu 7,1%, passou dos R$ 2 bilhões e, mais uma vez, o país foi o destaque da América Latina", completa. Hit – Muitos bancários da matriz também afirmaram que ouviram o spot de rádio produzido pelo Sindicato cobrando Emílio Botín respeito aos trabalhadores durante o processo de fusão. Apesar do sucesso, a rádio CBN retirou o spot do ar após aceitar pressão imposta pelo banco. Aditivo – Também na sexta, às 15h, ocorreu a primeira rodada de negociações com o Santander para discutir a renovação do acordo aditivo específico à Convenção Coletiva de Trabalho, quando estiveram em discussão o pagamento do Programa de Participação nos Resultados (PPR), a renovação automática do atual aditivo com melhoria da bolsa educação e no horário amamentação para as bancárias com filho recém nascido, além de inclusão do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) proporcional ao período trabalhado para quem se aposentar em 2008, isonomia salarial para corrigir as distorções salariais para mesmas funções e garantia de emprego. O Sindicato cobra que todo o novo aditivo seja extensivo aos trabalhadores do Real. Botín fala de tudo, menos de empregos Planos ambiciosos e elogios ao Brasil não vieram acompanhados de boas notícias sobre geração de postos de trabalho O presidente mundial do Santander, Emilio Botín, anunciou na sexta-feira, dia 31, planos ambiciosos para o Grupo Santander Brasil (formado pelos bancos Santander e Real) nos próximos anos: investimentos de R$ 2,5 bilhões, abertura de 400 agências, crescimento de 15% nas receitas e volumes de negócios em dois anos e previsões otimistas de crescimento nos lucros: R$ 4,8 bilhões em 2008, R$ 6,1 bilhões em 2009 e R$ 7,9 bilhões em 2010. Seu objetivo, repetido mais de uma vez, é tornar o Santander "o banco privado número um do Brasil". Mas e a geração de empregos? Nenhuma palavra sobre eles em sua apresentação. Já Fábio Barbosa, presidente do Grupo Santander Brasil, quando questionado sobre o assunto, disse que não há previsão de demissões no Brasil, mas também não anunciou contratações. "A intenção de investir tanto e abrir tantas agências é muito boa, mas não concebemos isso sem o anúncio de uma quantidade compatível de contratações", afirma o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino. A expectativa do dirigente foi reforçada com as declarações de Botín, segundo as quais a fusão "tem um encaixe estratégico perfeito”, uma vez que "são dois bancos absolutamente complementares", por conta da distribuição geográfica e pelo fato de o "Real estar mais focado em um mercado de massa e pequenos negócios, enquanto o Santander o é em segmentos de rendas altas e bancos de empresas". "São declarações positivas, mas que devem ser seguidas com atitudes que mostrem que isso não é apenas discurso bonito para a imprensa", disse Marcolino. Barbosa quer ser líder em contratação Presidente do Sindicato espera que bancos brasileiros comecem a disputa para ver quem contrata mais Num mega-evento para a imprensa, com estrutura de alto nível e dezenas de assessores de um lado para o outro cuidando para que tudo desse certo e funcionasse na mais perfeita ordem, o presidente mundial do Grupo Santander, Emilio Botín, e o presidente do Santander Brasil, Fabio Barbosa, anunciaram na sexta, 31, planos ambiciosos para o futuro do grupo no Brasil, com planos de lucros crescentes nos próximos três anos. Mas a maior surpresa para os bancários estava reservada para o momento em que Barbosa concluiu sua longa e otimista explanação, afirmando que o banco será, em breve, o melhor do Brasil, ancorado em quatro pilares, nos quais pretende ser líder de mercado: líder em receitas e rentabilidade, líder em qualidade, líder em reconhecimento da marca e, para alegria dos funcionários e dos desempregados brasileiros, líder de mercado em contratação. "Num momento em que temos entre nossas maiores preocupações a possibilidade de demissões no Real e no Santander devido à fusão dos bancos, nos deixa muito felizes saber que o Fabio Barbosa vai lutar para ser líder em contratação. Ainda mais para quem vivenciou o que aconteceu quando o banco espanhol comprou o Banespa, com milhares de pais e mães de família sendo demitidos. Na verdade seria muito bom para todos se os bancos começassem mesmo a disputar, não apenas para ver quem tem os maiores lucros e a maior rentabilidade, mas para ver quem contrata mais e cria mais empregos, realizando na prática a tão divulgada responsabilidade social que a gente tanto vê nos comerciais na televisão e que muitas vezes não chega ao mundo real", afirmou o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino. Fonte: Danilo
Pretti Di Giorgi, Elisangela Cordeiro e André Rossi – Seeb/SP
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