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04/06/2008
- 13:00
Bancários
se mobilizam para não transportar dinheiro do Bradesco
Transporte
irregular afronta a legislação e coloca vida de bancários
em risco
O
Sindicato dos Bancários de Alagoas enviou correspondência
à Contraf-CUT reforçando a necessidade de se cobrar da Comissão
Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (CCASP) uma atuação
mais firme contra o descaso e as irregularidades praticadas pelos bancos
na área de segurança. O apelo da entidade diz respeito sobretudo
ao transporte irregular de valores, que tem sido utilizado principalmente
pelo Bradesco.
“Inúmeros bancários pelo país são forçados
pela empresa a transportar dinheiro para os Bancos Postais, Postos de
Atendimento Bancário (PAB) e Postos Avançados de Atendimento
(PAA)”, diz o Seeb-AL. A entidade, que tem recebido informações
semelhantes de outros estados, já denunciou o Bradesco à
Polícia Federal, que está realizando um processo investigativo.
Recentemente, o problema também veio à tona no estado do
Maranhão, onde o Sindicato dos Bancários conseguiu uma liminar
da Justiça proibindo a utilização de funcionários
do banco no transporte de numerário. Se o Bradesco descumprir,
será multado em R$ 10 mil para cada bancário que exercer
a tarefa.
“A prática ilegal e altamente arriscada para os bancários
está configurada. Cabe a nós, do movimento sindical bancário,
intensificar o combate a essa situação, utilizando todos
os instrumentos disponíveis, iclusive a CCASP”, disse Miriam
Barbosa, diretora de imprensa do Sindicato de Alagoas e funcionária
do Bradesco.
As
investigações
O
Bradesco é reincidente nesta prática criminosa de desrespeitar
a legislação e colocar a vida dos bancários em risco.
Em 2003, após denúncia do Seeb-AL, o banco foi flagrado
e autuado pela Polícia Federal por usar funcionários no
transporte de valores para os bancos postais. Com a autuação,
uma empresa de transporte foi contratada. Atualmente, o banco voltou à
prática anterior, sendo que desta vez o transporte irregular é
para os Postos Avançados de Atendimento (PAA).
Nessa nova denúncia do Sindicato para a Delegacia de Segurança
Privada (Delesp) da Polícia Federal, o banco foi notificado a apresentar
documentos que comprovem seu contrato com empresa transportadora de valores,
bem como as Guias de Trasporte de Valores (GTV). Os agentes da PF também
começaram a fazer fiscalizações nos Postos Avançados
de Atendimento (PAA), o que levou o Bradesco a mandar suspender de imediato
a utilização dos bancários no transporte de numerário.
O Sindicato de Alagoas vem acompanhando todo o processo, além de
repassar para a Polícia Federal informações que contribuam
para punir o banco e acabar de uma vez por todas com essa prática.
A Contraf-CUT, que reuniu no dia 30 representantes de entidades sindicais
do país para discutir a irresponsabilidade da Fenaban com a questão
da segurança bancária, também ficou de denunciar
o Bradesco à Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança
Privada (CCASP).
O
que é a CCASP
A
Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada foi
criada pelo Ministério da Justiça, em setembro de 2004,
para auxiliar no aperfeiçoamento do sistema de segurança
privada. Ela tem a participação de órgãos
federais, como a Polícia Federal e o Exército, e de entidades
de classe – patronais e dos trabalhadores. A Contraf-CUT tem assento
na CCASP representando os trabalhadores do Sistema Financeiro.
A Comissão se originou em função da Lei 7.102 e dos
Decretos 89.056 e 1.592, que estabelecem normas para o funcionamento das
empresas de vigilância e transporte de valores, além de dispor
sobre a segurança nos estabelecimentos financeiros. Uma das funções
da CCASP é examinar e opinar, de forma conclusiva, sobre os processos
que apuram infrações, subsidiando o poder público
para autuar e punir os infratores.
Entre os dispositivos legais desrespeitados pelo Bradesco estão
os artigos 9º, 11 e 12 da Lei 7.102 e do Decreto 1.592. Em resumo,
eles determinam que o transporte de valores só pode ser realizado
por pessoal especializado, mesmo quando o montante for pequeno ( 7 mil
a 20 mil UFIR) e o serviço for executado pela instituição
financeira. Ou seja, bancário não pode fazer o transporte
de numerário, como vem acontecendo pelo país com o pessoal
do Bradesco. Em Alagoas, os funcionários chegam a transportar de
R$ 30 mil a R$ 150 mil, deslocando-se a pé, de táxi ou em
seus próprios veículos.
Fonte:
Seeb-AL |
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