Uma das primeiras campanhas
salariais do novo Sindicato, em 1984

Bancários fecham rua em
frente ao Sindicato, durante assembléia da campanha
salarial de 1985
Funcionários
fazem assembléia no Banco do Brasil, na campanha salarial
de 1985
Diretores
do Sindicato inauguram delegacia sindical em Arapiraca
- 1985
1º Encontro Norte-Nordeste
de Funcionários de Bancos Estaduais - 1987
2º Festival de Música dos
Bancários de Alagoas - 1988
Diretoria eleita do
Sindicato dos Bancários em 1988
Greve
geral pela reposição das perdas salariais do Plano Verão
- 1989
Movimento
contra a liquidação do Banco do Estado de Alagoas (Produban)
- 1989
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A Categoria renasce e o Sindicato evolui
O Sindicato dos
Bancários e Financiários de Alagoas foi fundado em 20
de setembro de 1933 com a denominação de Sindicato dos
Bancários de Maceió. Seu reconhecimento veio nove anos
depois (13 de abril de 1942), com a emissão da carta
sindical pelo Departamento Nacional do Trabalho (atual
Ministério do Trabalho). Em 16 de junho de 1977 foi
ampliada oficialmente a base territorial da entidade,
que passou a se chamar Sindicato dos Empregados em
Estabelecimentos Bancários do Estado de Alagoas.
Os primeiros acontecimentos que marcam a historia do
Sindicato datam do inicio da década de 60, quando ele
vinha sendo conduzido por simpatizantes da Juventude
Estudantil Católica (JEC). O rompimento dessa
fase teve inicio com a eleição de uma chapa mista para
a entidade, onde havia integrantes da gestão anterior,
a exemplo de Everaldo Macedo (presidente), e bancários
independentes, como Roland Bitar Benamor (secretario). O
presidente eleito deixou o cargo posteriormente para
ocupar uma pasta no governo estadual, fazendo com que o
secretario assumisse o comando do Sindicato.
A gestão de Roland Bitar Benamor foi marcada por
iniciativas de estruturação da entidade e de
fortalecimento da luta sindical e política. A
diretoria tinha herdado um sindicato com estrutura
frágil e poucos associados. Uma das primeiras ações
foi realizar grande campanha de sindicalização, o que
culminou no crescimento quantitativo e qualitativo da
entidade dos bancários. Isto deu forças à diretoria
para combater a exploração praticada pelos bancos
contra a categoria, que eram maiores naquela época.
"Muitas vezes entramos nas agências para tirar
colegas que estavam o dia todo no banco, porque a
Delegacia do Trabalho não cumpria o seu trabalho",
conta Benamor
Essa primeira fase áurea do Sindicato viria a ser
interrompida em abril de 1964, com o golpe militar
que tomou o poder no Brasil. Na época todo movimento
sindical foi afetado, em Alagoas e no pais. O exercito e
suas armas tomaram conta da ruas, invadiram os
sindicatos e prenderam os sindicalistas, sem dar
qualquer chance de reação aos trabalhadores. Os
dirigentes de entidades tiveram seus mandatos cassados e
foram substituídos por interventores.
Durante quase vinte anos o Sindicato dos Bancários, assim
como todo o movimento sindical, ficou
atrelado às conveniências do regime, através de
limitações impostas pela legislação e pelo
Ministério do Trabalho. Foi a época do sindicalismo
atrasado, que não fazia denúncias e não investia na
luta, baseando suas ações no assistencialismo.
Enquanto isto, a espoliação dos bancários pelos
patrões era flagrante.
O enfretamento à esta situação começou em 1978,
quando alguns bancários alagoanos decidiram se juntar e
lançar um grupo para retomar à diretoria do sindicato.
A Oposição Bancária, como ficou conhecida,
contou com o apoio de outras categorias, segmentos e
pessoas que também tentavam soerguer o movimento
sindical no Estado, a exemplo de jornalistas, advogados
e ativistas dos direitos humanos. A oposição foi
crescendo e ganhando força, até lançar uma chapa, em
1981, para concorrer à diretoria do Sindicato. A
eleição deste ano foi fraudada de forma escandalosa
pelos que detinham a entidade e pelos que apoiavam a chapa da
situação. Foi uma espécie de fraude consentida pela
Delegacia do Trabalho, que nada fez para garantir a
lisura do pleito. Derrotada por este esquema, a
oposição bancária passou outros três anos se
articulando, crescendo e se estruturando, para lançar
em 1984 uma outra chapa para a diretoria da
entidade. Desta vez, com mais força e instrumentos para
garantir a transparência das eleições, o grupo
sagrou-se vitorioso, fazendo valer a vontade soberana da
categoria.
O dia 7 de agosto de 1984, data em que o Sindicato foi
retomando, entrou para a historia do sindicalismo em
Alagoas e inaugurou uma nova era para os bancários. Foi
a partir daí que a entidade rompeu as amarras que a
prendia à ditadura militar e partiu para a
construção de um
sindicalismo classista, que representasse de fato os
trabalhadores de bancos.
Uma das primeiras lutas da nova diretoria foi para
melhorar os salários da categoria, que haviam sido
drasticamente achatados pelos banqueiros. Uma
mobilização após outra fez com que a entidade se
destacasse no movimento sindical e junto à opinião
pública, o que ajudou a conquistar cada vez mais a
confiança dos bancários. Campanhas de sindicalização
foram realizadas e obtiveram amplo sucesso. O número de
associados, que era de 1.100 na gestão anterior, pulou
para 4.500 até 1993, e depois para cerca de 6 mil.
Alem das lutas sindicais e políticas, que voltaram a efervescer, as ações do novo Sindicato também foram no
sentido de ampliar sua estrutura, para prestar maior e
melhor assistência aos bancários alagoanos. O prédio
que abriga a sede da entidade foi readaptado,
incrementou-se os departamentos médico e odontológico,
implantou-se um forte departamento jurídico e criou-se
uma ampla estrutura de comunicação, com carros de som,
estúdio de radio, redação, computadores e até uma gráfica.
Tudo foi construído para fortalecer a luta da
categoria, que se mobilizava não apenas pelos
direitos e interesses dos bancários (defesa do emprego,
melhoria salarial, condições de trabalho etc), mas também
para apoiar lutas gerais da sociedade (ensino público e
gratuito, direitos da mulher, reforma agrária, melhores
condições de vida, justiça social, etc). A entidade também
investiu em esportes e cultura, criando e promovendo
campeonatos de futebol, realizando festivais de musica e
construindo o Espaço Cultural dos Bancários - para a
divulgação dos artistas bancários e das produções
culturais do Estado.
Uma das lutas que mais marcou o Sindicato foi a defesa
do Banco do Estado de Alagoas
(PRODUBAN), que entrou em processo de fechamento e
liquidação a partir do governo José
Sarney(1986). Esta batalha, que também era contra a
privatização dos bancos públicos, tornou-se vitoriosa
anos depois, porque forçou o governo federal a reabrir
o banco alagoano. Posteriormente vieram outras
investidas de Brasília, com novas
intervenções/liquidações, o que levou ao fechamento
definitivo da instituição em meados da década de 90.
Outra histórica batalha do sindicato foi em defesa de
167 funcionários da antiga Associação de poupança e Empréstimo
de Alagoas (APEAL), que foi transformada em sociedade de
credito imobiliário em abril de 1986, demitindo todos
os empregados. A mobilização do sindicato e dos
trabalhadores em várias esferas (estadual, federal,
parlamentar, jurídica, política, trabalhista etc)
fizeram com que o Conselho Monetário Nacional
autorizasse a absorção dos demitidos pela Caixa Econômica
Federal.
No campo político, o Sindicato foi incansável na luta
contra a política neoliberal e de usurpação do
patrimônio público, que começou a ganhar força no
governo Fernando Collor (1990). Alem de se opor ao
projeto do governo, que era de arrocho salarial,
privatizações, submissão ao FMI e completa abertura
ao capital estrangeiro, o Sindicato denunciou e combateu
o esquema de corrupção dos "colloridos", que
levaria mais tarde ao impeachment do presidente. A
entidade foi a primeira a abraçar, dentro do movimento
sindical, a causa do "Fora Collor", quando ninguém
imaginava que ele seria expulso do poder por crime
de improbidade administrativa.
No governo Fernando Henrique Cardoso (a partir de
1995), os bancários passaram a viver o maior arrocho
salarial da historia, sobretudo os trabalhadores
dos bancos públicos (BB,CEF,BNB). As privatizações e
o nível de submissão do país ao capital internacional
tornaram-se sem precedentes. O Sindicato dos Bancários,
que sempre se esforçou pela eleição de
representantes dos trabalhadores para a presidência da
Republica e os parlamentos, empreendeu uma
vigorosa luta contra a política de recessão, arrocho,
desemprego e miséria.
Para conquistarmos o país e a qualidade de vida que
sonhamos, a luta sindical é muito importante. Mas, só
isso, não é suficiente. Nós
trabalhadores precisamos garantir a eleição dos
nossos verdadeiros representantes para os governos
federal, estadual e municipal, bem como para as casas
legislativas. As mudanças, necessariamente, também passam por
aí.
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